Cotas raciais – para todas as raças?
O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou ontem constitucional a medida tomada pela Universidade de Brasília – UnB em 2004, que liberava 20% das vagas do seu vestibular para negros. Ponto final.
Em um frio resumo, o STF simplesmente disse que estava “ok” a decisão tomada naquele momento. Entretanto, o julgamento retomou as discussões sobre a validade ou não do sistema de cotas raciais. E daí, vem a dúvida: se o sistema é de cotas raciais, porque só se discute ou só se dá voz (e ouvidos) aos negros?
O argumento mais forte apresentado para a validação do sistema de cotas foi recuperar o que historicamente foi negado ao negro: o direito a competir em pé de igualdade. Isso desde o tempo da escravidão. Mas o que dizer do indígena? Não foi negado a ele esse mesmo direito desde o tempo do Descobrimento?
A mesma medida da UnB em 2004 reservou 20 vagas para os indígenas. Bom, contas matemáticas simples mostram que 20 vagas é menos que 20% do total das vagas. Estaremos vendo um racismo dentro da cota “anti-racismo”?
Se a cota é racial, qual o problema de considerar os orientais (também chamados de “amarelos)? “Ah! Mas eles estão em primeiro lugar no vestibular”. Mas este é o critério? A história também conta que os japoneses sofreram muito racismo na época da imigração, na época da Segunda Guerra. E o que dizer de chineses e coreanos? Só porque eles fizeram de sua “raça” uma história diferente, merecem menos consideração da lei?
Outro detalhe: cotas raciais não incluem situação econômica no critério. Ou seja, um negro que vem de escolas privadas e pertence à classe alta participa da cota.
A discussão continua valendo. Mas todos os vieses deveriam ser colocados na mesa. Dê sua opinião aqui e no Facebook.
